Emissão Fiscal (NF-e)
Para quem é este documento: quem emite notas — administradores fiscais, operadores e contadores. O que você encontra aqui: a ordem de configuração antes da primeira nota, o formulário de emissão campo a campo, o que fazer quando a SEFAZ rejeita, e os prazos que não dá para perder.
O que é o módulo Fiscal
O módulo emite e administra documentos fiscais eletrônicos. Ele fala com a SEFAZ diretamente ou através de um provedor de tecnologia fiscal, guarda os certificados digitais e mantém o histórico de cada documento com o XML, o PDF e todos os eventos.
Documentos suportados
| Documento | Modelo | PDF gerado |
|---|---|---|
| NF-e | 55 | DANFE |
| NFC-e | 65 | DANFCE |
| NFS-e | — | DANFSE |
| CT-e | 57 | DACT-e |
| MDF-e | 58 | DAMDFE |
| NFA-G | 66 | — |
A tela de emissão guiada é a da NF-e (modelo 55). Os demais modelos são administrados na tela de Documentos — consultados, baixados e acompanhados.
Mapa do menu
| Menu | Para que serve |
|---|---|
| Provedores fiscais | Quem transmite à SEFAZ: direto ou via terceiro. |
| Emitir NF-e | O formulário de emissão. |
| Documentos | Tudo que já foi emitido, com XML, PDF e eventos. |
| Envio automático de notas e captura de XML recebidos. | |
| Clientes | Destinatários. |
| Produtos | Catálogo com dados fiscais. |
| Transportadoras | Cadastro reutilizável no transporte da nota. |
| Códigos IBGE | Consulta de código de município. |
| Emitentes | Quem emite, com certificado e logomarca. |
| Séries fiscais | Numeração por emitente, tipo e ambiente. |
| Inutilização | Fechamento das lacunas de numeração. |
| Roteamento | Qual provedor atende cada documento, com fallback. |
| Resp. Técnico | CSRT por UF. |
| Health dos drivers | Diagnóstico dos provedores e do cofre de chaves. |
Ordem de configuração
Nada é emitido sem estes cinco passos, nesta ordem:
1. Provedor fiscal → quem transmite
2. Emitente → quem emite (CNPJ, regime, endereço)
3. Certificado A1 → a assinatura digital
4. Série fiscal → a numeração
5. Roteamento → qual provedor atende cada documento
E, antes de ir para produção, emita em homologação. Cada emitente tem um ambiente padrão (Homologação ou Produção), e a série é cadastrada por ambiente — a numeração de homologação é separada da de produção.
Em homologação, a SEFAZ exige que o nome do destinatário seja
NF-E EMITIDA EM AMBIENTE DE HOMOLOGACAO - SEM VALOR FISCAL. O sistema preenche isso sozinho — não é erro do formulário.
Emitentes
Quem assina a nota. Cada empresa pode ter vários.
Tipo e regime
| Tipo | Documento exigido |
|---|---|
| Pessoa Jurídica | CNPJ (14 dígitos) |
| MEI | CNPJ (14 dígitos) |
| Pessoa Física | CPF (11 dígitos) |
| Produtor Rural | CPF (11 dígitos) |
| Regime tributário | CRT |
|---|---|
| Simples Nacional | 1 |
| Simples Nacional (excesso de receita) | 2 |
| Regime Normal | 3 |
| MEI | 4 |
O CRT é derivado do regime automaticamente — você escolhe o regime, o sistema grava o código. E é o regime que decide se a nota usa CST (regime normal) ou CSOSN (Simples Nacional) no ICMS de cada item.
Campos obrigatórios
Razão social, CNAE principal (exatamente 7 dígitos), regime tributário, logradouro, número, bairro, município, código IBGE do município (7 dígitos), UF (2 letras), CEP (8 dígitos), telefone (10 ou 11 dígitos), e-mail e ambiente padrão.
Opcionais: nome fantasia, inscrição estadual, IE substituto tributário e inscrição municipal.
Documentos e inscrições são gravados só com dígitos. Você pode digitar com máscara — o sistema limpa antes de enviar, porque é assim que a SEFAZ exige no XML.
Logomarca
Cada emitente pode ter uma logomarca, que aparece no DANFE. Formatos aceitos: PNG, JPEG e GIF, até cerca de 1,1 MB. A logo tem tela própria dentro do emitente; removê-la faz o DANFE voltar a sair sem logo.
Certificados digitais
Certificado A1 (arquivo .p12 / .pfx) com senha, vinculado ao emitente. A
tela mostra apelido, titular (CN, CNPJ/CPF), emissor, número de série,
thumbprint, validade e status:
| Status | Significa |
|---|---|
| Ativo | Em uso |
| Expirado | Passou da validade — a emissão para |
| Revogado | Revogado manualmente, com motivo |
| Inativo | Cadastrado, fora de uso |
O sistema alerta 30 dias antes da expiração. Toda ação sobre o certificado (upload, revogação, uso) entra numa trilha de auditoria com usuário, IP e data/hora.
O armazenamento da chave pode ser local com criptografia (LOCAL_AES), Vault,
KMS ou nuvem A3 — a escolha aparece no cadastro e o estado de cada backend é
visível em Health dos drivers.
Séries fiscais
A numeração. Cada série é a combinação de:
Emitente + Tipo de documento + Ambiente + Número da série (0 a 999)
Mais o próximo número a ser usado (≥ 1).
Não existe uma série "global": homologação e produção têm séries separadas, e NF-e e NFC-e também. É por isso que a primeira emissão em produção começa do número 1 de novo — está correto.
Não mexa no "próximo número" para pular uma nota. Se a numeração pular, a SEFAZ vai cobrar a lacuna, e o caminho certo é a tela de Inutilização.
Provedores e roteamento
Provedores
O sistema fala com a SEFAZ de duas maneiras: direto ou através de um provedor.
| Provedor | Observação |
|---|---|
| DIRECT_SEFAZ | Comunicação direta com a SEFAZ |
| NuvemFiscal | Provedor de tecnologia fiscal |
| Focus NFe | Provedor de tecnologia fiscal |
| TecnoSpeed | Provedor de tecnologia fiscal |
| Webmania | Provedor de tecnologia fiscal |
| Portal Nacional NFS-e | Específico para NFS-e |
| Mock (testes) | Só para testes — nunca em produção |
Cada provedor é cadastrado com apelido, ambiente, tipo e endpoint.
Roteamento
Define qual provedor atende cada tipo de documento, em cada ambiente, com uma prioridade numérica. Quando o provedor de prioridade 1 falha, o sistema cai para o próximo — é o fallback.
Exemplo de configuração típica:
NF-e (55) · Produção · NuvemFiscal · prioridade 1
NF-e (55) · Produção · DIRECT_SEFAZ · prioridade 2
NFS-e · Produção · Portal Nacional· prioridade 1
Health dos drivers
Tela de diagnóstico. Mostra, por provedor, o status, a mensagem e quando foi verificado; e o mesmo para os backends de armazenamento de chave. É a primeira tela a abrir quando "parou de emitir" e você quer saber se o problema é seu ou do provedor.
Responsáveis técnicos (CSRT)
O CSRT (Código de Segurança do Responsável Técnico) é exigido por algumas UFs. Cadastre por UF: CNPJ do responsável técnico, contato e o próprio CSRT. O sistema aplica o responsável correspondente à UF do emitente na hora da emissão.
Cadastros usados na nota
Clientes (destinatários)
Nome/razão social, tipo, documento, código IBGE e cidade/UF. É o mesmo cadastro do CRM: um cliente cadastrado lá já aparece aqui.
O código IBGE do município é o campo que mais trava emissão. Sem ele a nota é recusada. A tela de Códigos IBGE existe justamente para consultar o código por município e UF.
Produtos
Nome/descrição, código, NCM, unidade e preço de venda — reaproveitando o catálogo do CRM. Os campos fiscais preenchidos no produto do CRM (NCM, CEST, EAN, cBenef) chegam prontos ao item da nota.
Transportadoras
Cadastro reutilizável no bloco de transporte da NF-e: nome/razão social, tipo, documento e cidade/UF.
Emitir NF-e
O formulário é dividido em sete blocos.
1. Emitente e ambiente
Escolha o emitente e o ambiente. Isso define o certificado usado, a série disponível e o regime tributário — que por sua vez decide entre CST e CSOSN nos itens.
2. Identificação (ide)
- Série e número (o número vem da série; você não digita).
- Natureza da operação — ex.: "Venda de mercadoria".
- Finalidade: 1 Normal · 2 Complementar · 3 Ajuste · 4 Devolução.
- Consumidor final: 0 Não · 1 Sim.
- Indicador de presença: 0 Não se aplica · 1 Presencial · 2 Internet · 3 Teleatendimento · 4 NFC-e entrega a domicílio · 5 Presencial fora do estabelecimento · 9 Não presencial / outros.
- Data e hora de emissão, com atalho para a hora atual da máquina.
3. Destinatário
Escolhido do cadastro de clientes (com busca por nome e documento) ou digitado como destinatário avulso.
O indicador de IE é o campo que costuma gerar rejeição:
| Valor | Quando usar |
|---|---|
| 1 | Contribuinte do ICMS (tem inscrição estadual) |
| 2 | Contribuinte isento de inscrição |
| 9 | Não contribuinte — pessoa física, em geral |
4. Itens
Cada item é escolhido do catálogo (a busca mostra nome e NCM) ou digitado do zero. Por item:
Dados comerciais — código, descrição, NCM, CEST, CFOP, unidade, quantidade, valor unitário, desconto e frete.
Origem da mercadoria — de 0 (Nacional) a 8 (Nacional com mais de 70% de importação), incluindo as variantes de mercadoria estrangeira com e sem similar nacional.
ICMS — conforme o regime do emitente:
- Regime Normal → CST: 00, 10, 20, 30, 40, 41, 50, 51, 60, 70, 90.
- Simples Nacional → CSOSN: 101, 102, 103, 201, 202, 203, 300, 400, 500, 900.
Quando há substituição tributária, a modalidade da base de cálculo também é escolhida: margem de valor agregado, pauta, preço tabelado máximo ou valor da operação.
PIS e COFINS — CST entre 01, 02, 03, 04, 06, 07, 08, 09, 49 e 99.
IPI — o CST decide o resto: os CSTs 00, 49, 50 e 99 são tributados e exigem base de cálculo, alíquota e valor. Os demais mandam só o CST.
Os totais da nota são calculados automaticamente a partir dos itens.
5. Pagamento
- Indicador: 0 à vista · 1 a prazo.
- Forma: 01 Dinheiro · 02 Cheque · 03 Cartão de crédito · 04 Cartão de débito · 05 Crédito loja · 10 Vale alimentação · 15 Boleto · 16 Depósito · 17 PIX · 18 Transferência · 19 Carteira digital · 90 Sem pagamento · 99 Outros.
6. Transporte
- Modalidade do frete: 0 CIF (emitente) · 1 FOB (destinatário) · 2 Terceiros · 3 Transporte próprio do remetente · 4 Transporte próprio do destinatário · 9 Sem ocorrência de transporte.
- Transportadora (do cadastro ou avulsa), placa, UF, RNTC e os volumes.
7. Dados adicionais
- Informações complementares (até 2.000 caracteres) — o que aparece no corpo do DANFE.
- Informações ao fisco (até 256 caracteres).
Emitentes do Simples Nacional têm um texto padrão sugerido para as informações ao fisco.
Rascunhos
Salvar rascunho grava a nota sem transmitir — a validação é relaxada, basta o emitente. O rascunho pode ser reaberto depois em Documentos, editado e emitido com Emitir rascunho, que aí sim valida por completo, resolve o número da série e transmite.
É o caminho para montar uma nota complexa em partes, ou deixar pronta para o faturamento do dia seguinte.
Devolução e substituição
A partir do detalhe de um documento autorizado, dá para abrir uma nova nota referenciando a chave da original. O formulário abre já com o aviso de que está emitindo uma NF-e de devolução/substituição, e a finalidade correspondente.
Avisos não bloqueantes
Se algum seletor falhar ao carregar (clientes, produtos, transportadoras, séries), a tela mostra um aviso e indica a saída manual — destinatário avulso, produto digitado à mão, transporte informado direto. A emissão não fica refém do cadastro.
Documentos
A listagem de tudo que já foi emitido: destinatário, status, tipo, número/série, chave de acesso, valor e data de emissão. Filtra por status e ajusta a quantidade por página.
Status
| Status | Significa |
|---|---|
| Rascunho | Salvo, não transmitido |
| Pendente | Transmitido, aguardando retorno |
| Autorizado | Aprovado pela SEFAZ |
| Rejeitado | Recusado — o motivo fica registrado |
| Denegado | Recusado por irregularidade fiscal do destinatário |
| Cancelado | Cancelado com justificativa |
| Inutilizado | Numeração inutilizada |
| Em contingência | Emitido offline, aguardando transmissão |
| Encerrado | Encerrado (MDF-e) |
O detalhe do documento
Três abas:
- Dados — todos os campos da nota, mais os dados de contingência quando houver (motivo, data/hora, prazo de retransmissão e tentativas).
- Eventos — a linha do tempo: cancelamento, carta de correção, inutilização, entrada e saída de contingência, rejeição, consulta de status, registro EPEC, manifestação do destinatário e os eventos de MDF-e. Cada evento traz protocolo, sucesso, mensagem e horário.
- Diagnóstico — o payload enviado ao provedor e a resposta crua da SEFAZ. É a aba que resolve rejeição sem depender do suporte: a SEFAZ diz exatamente qual campo recusou.
Ações
| Ação | Quando aparece |
|---|---|
| XML | Documento autorizado — baixa o XML |
| DANFE / DANFCE / DACT-e / DAMDFE / DANFSE | Conforme o modelo — abre o PDF |
| Consultar status | Sempre — liberado inclusive para o contador |
| Retransmitir contingência | Documento em contingência |
| Carta de correção | Documento autorizado |
| Cancelar documento | Documento autorizado, dentro do prazo |
A carta de correção não corrige tudo. A própria tela avisa: a CC-e não corrige valores de imposto, dados do destinatário, data de emissão nem número da nota. Para esses casos, o caminho é cancelar e reemitir, ou emitir nota de devolução/substituição.
Prazos que não dá para perder
| Ação | Prazo |
|---|---|
| Cancelar NF-e | 24 horas após a autorização |
| Cancelar NFC-e | 30 minutos após a autorização |
| Cancelar CT-e | 7 dias |
| Carta de correção | 30 dias após a autorização |
| Transmitir contingência | 24 horas |
Passado o prazo, o cancelamento é recusado pela SEFAZ e a saída passa a ser a nota de devolução.
Inutilização de numeração
Quando a numeração de uma série pula um número, a SEFAZ precisa saber por quê. A tela varre a série e mostra as lacunas, classificadas por origem:
| Origem | O que aconteceu |
|---|---|
| Número pulado | Não há registro nenhum daquele número |
| Nota rejeitada | A nota existiu e foi recusada |
| Série adiantada | O contador da série está à frente dos documentos emitidos |
Para cada faixa, a tela mostra o intervalo, a quantidade de números, o motivo e o detalhe. Você seleciona a faixa, informa emitente, tipo de documento, ambiente, série, ano e justificativa, e o sistema inutiliza na SEFAZ.
Inutilizar é definitivo: aqueles números nunca poderão ser usados. Confira a faixa antes de confirmar. A ação é restrita ao administrador fiscal — nem o operador nem o contador conseguem executá-la.
E-mail fiscal
Mesma tela do e-mail do CRM, em contexto fiscal, com uma aba a mais:
- Caixa de entrada, Contas e Regras — iguais às do CRM.
- XML recebidos — captura os XML que chegam por e-mail, filtráveis por chave e CNPJ, com as ações de ignorar e restaurar.
As regras automáticas cobrem o envio da nota emitida e da nota cancelada ao destinatário.
Perfis do módulo
| Ação | Admin Fiscal | Operador Fiscal | Contador |
|---|---|---|---|
| Consultar documentos, baixar XML e PDF | ✅ | ✅ | ✅ |
| Consultar status na SEFAZ | ✅ | ✅ | ✅ |
| Emitir nota | ✅ | ✅ | ❌ |
| Cancelar e enviar carta de correção | ✅ | ✅ | ❌ |
| Inutilizar numeração | ✅ | ❌ | ❌ |
| Cadastrar clientes, produtos e transportadoras | ✅ | ✅ | ❌ |
| Emitentes, certificados, séries, provedores e roteamento | ✅ | ❌ | ❌ |
O Contador é somente leitura por design — ele acompanha e baixa os arquivos, sem risco de alterar a escrituração. O administrador da empresa tem acesso equivalente ao Admin Fiscal.